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Podcast A Memória Viva Nasce a Cada Dia

A ação audiovisual intitulada “ A memória viva nasce a cada dia” é um projeto autônomo e independente, organizado pela Experimentação Audiovisual Claudia Ferreira, coletivo de cine popular, que tem como objetivo resgatar as memórias e histórias indizíveis, clandestinas e silenciadas. Acreditamos que ao documentarmos e registrarmos as narrativas de sujeitos anônimos e das pessoas mais simples ,estamos contribuímos para realização de uma releitura e reinterpretação de um passado; de uma história, muitas vezes, transmitidas pelas vozes hegemônicas que acabam construindo e edificando uma única versão, um único fato. Portanto, ao fazer o emergir dessas memórias, estamos estimulando a presença das vozes dissonantes, outras perspectivas possíveis para o entendimento de como o nosso processo histórico e social foram se delineando a partir de práticas opressivas e coercivas contra determinados segmentos da população historicamente invisibilizados . A memória viva nasce a cada dia é também um processo permanente de resistência das memórias indizíveis.

Diante dessa perspectiva de como é organizado e produzido esse projeto audiovisual, apresentamos um fragmento de uma história contada a partir do povo, das pessoas mais simples e anônimas. Essas narrativas trazem as histórias sobre o bairro São João, a sua gente; a festa de São João, as batucas, a fogueira de são João e as famílias negras que outrora por lá habitaram. São narrativas contadas a partir de seus moradores e moradoras que são as memórias vivas desse lugar. São indubitavelmente verdadeiros patrimônios culturais da cidade de Brotas (SP).

Gostaríamos de esclarecer que de maneira alguma essa iniciativa é algo completo e concluído. Na verdade são fragmentos e impressões que resolvemos compartilhar com tod@s que tenham interesse e curiosidade em conhecer uma história não contada e negada por alguns segmentos da sociedade, como por exemplo, as elites locais, poder público, escolas e outras instituições oficiais. Esperas que essas impressões e reflexões possam contribuir de alguma forma para a história cultural e social do município de Brotas (SP).

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Diante da nossa repentina saída da cidade de Brotas (SP) não foi possível prosseguirmos adiante com o projeto “A memória viva nasce a cada dia”. Então, decidimos, produzir em parceria com o coletivo, Desobediência Sonora, um documento em formato de podcast contendo os áudios das entrevistas que conseguimos coletar durante o tempo que perdurou o nosso projeto.
Esse fragmento disponível no formato de podcast tenta resgatar , relatar e vasculhar a história e a memória de pessoas anônimas que tem ou tiveram alguma relação com a história do bairro São João, na cidade de Brotas (SP). Essa ação audiovisual é realizada de forma autônoma e independente, ou seja, sem vinculo com partidos políticos, sem ligação com Igrejas e empresariado. Nós, uma dupla recém chegada a cidade de Brotas (SP), nos deparamos com algumas histórias contadas,sobretudo, pelas pessoas mais velhas , referente ao bairro de São João e sobre a saudosa festa de São João, as batucadas e as famílias negras que organizavam coletivamente o festejo.
Ouvimos por varias vezes o nome de um tal de João Julião, descobrimos que ele foi um homem negro que e era um dos principais organizadores e articuladores da festa. João Julião era rezador e descendia de negros escravizados. Infelizmente, ele já era falecido quando da nossa chegada à Brotas (SP). A partir daí começamos a conhecer e a entender a sua importância na construção de todo o processo da festa do São João.
Ao nos depararmos com histórias tão ricas sobre esse pequeno território, resolvemos iniciar de alguma forma uma aproximação com os habitantes desse bairro. Decidimos entrar em contato com os antigo(a)s moradores do bairro com a finalidade de registrar e documentar a história e memória dessas pessoas que conheceram João Julião e sobre as outras narrativas envolvendo as batucadas, as famílias negras, o pisar descalço na fogueira e outros lembranças do lugar. Inicialmente pensamos em mapear e entrar em contato com as pessoas que de alguma forma tinham histórias para nos contar, que possuíam lembranças sobre o bairro, suas festas e de sua gente; e que pudessem compartilhar conosco. Decidimos efetuar o registro dos depoimentos em audiovisual e sugerimos o nome dessa ação “ A memória viva nasce a cada dia”.

Paralelamente, a isso , nos encaminhamos até a Biblioteca Municipal de Brotas (SP) com a finalidade de obter mais referências e informações que viria a nos auxiliar nessa empreitada. Mas, para nossa surpresa, nada foi encontrado. Uma história apagada!.
O processo de construção desse material começou a surgir no primeiro semestre de 2016 com o mapeamento e a ida até as casas das pessoas que seriam convidadas a participar desse projeto. Foi um percurso de muitas conversas e a criação gradual de vínculos de confiança. Uma importante fonte de informação para nós, foi uma mulher chamada Marcia, proprietária de um pequeno bar no bairro. Suas dicas e informações foram essenciais para chegarmos até as pessoas desejadas.
Logo no inicio, decidimos fazer o convite aos moradores e moradoras para participarem uma roda da memória a ser realizada no centro Cultural de Brotas (SP) no mês de maio, Infelizmente, não deu muito certo, poucos convidados compareceram, entre eles, Terezinha matozinho, Pedro Gross e Dirceu Almeida. Apesar do comparecimento ínfimo dos convidados, as histórias e memórias ativadas durante essa iniciativa foi extremamente proveitosa.
Acreditamos que o não comparecimento das pessoas foi devido a questão de muitos deles serem idosas e encontrarem dificuldades de se locomoverem até o local, e também, acreditamos no fator inibição diante das câmeras e a conseqüente falta de confiança em nós. Daí por diante resolvemos mudar a estratégia de atuação e decidimos começar a ir até a casa das pessoas. Construir afinidades. A situação de aproximação com as pessoas, ocorreu..
Diante do andamento do projeto percebemos que as falas dos entrevistado(a)s diziam respeito a uma espécie de declínio gradual da festa de São João comparando com os dias de hoje.Atualmente o que seria para ser uma festa se resume em uma missa e nada mais. Essa situação de descaracterização da festa de São João nos intrigou e fizemos diversas indagações referente ao fim de uma festa organizada pelo povo de forma autônoma, popular e solidaria. Acreditamos que o fim daquela outrora,animada e popular festejo tem relação com a desarticulação da maioria das famílias negras que moravam de aluguel em barracos de madeira localizados em terrenos próximo a Igreja de São João.
Em algum momento essas famílias foram retiradas do local pelo poder público com o pretexto de tira-los do aluguel e daquelas precárias habitações para transferi-los para o Taquaral, periferia da cidade, mais especificamente para um terreno que leva o nome de Mutirão e onde essas famílias receberiam os materiais necessários para erguer as casas na forma de mutirão. Bem, nos deslocamos até o local conhecido como Mutirão e para onde parte das famílias foram realocadas pelo poder público. Durante as conversas realizadas com alguns moradores, descobrimos que as famílias não possuem documentação que comprove efetivamente que o terreno lhes pertencem de fato. Até hoje, nunca foram entregues a documentação dizendo que essas casas são suas. Diante do delineamento dessas informações, nos certificamos com, um cenário que nos permite dizer que houve um processo de higienização no bairro São João promovido pelo poder publico, empresariado e Igreja.E, como esse processo acabou atingido um segmento populacional especifico social e historicamente marginalizado e estigmatizado, no caso, referindo-se às famílias negras. Configura-se em um processo de racismo estrutural.
Hoje em dia a principal festa religiosa da cidade é a festa de Santa Cruz, realizada no bairro de Santa Cruz.Atualmente a igreja católica juntamente com empresários locais detém o monopólio das festas, entre elas, a festa de Santa Cruz, que em contrapartida ao desestruturação da,outrora, pomposa e carismática festa do são João, se tornou a principal festa da cidade nos dias de hoje. É, absolutamente identificável nos depoimentos que captamos e durante as varias conversas informais, o descontentamento latente com alguns representantes da igreja e também do poder publico diante do processo de mercantilização em que foi sendo imposto e promovido por estes há uma festa religiosa e popular, antes feita e organizada pelo povo e para o povo.

Quando nos referimos que esse trabalho foi uma tentativa de algo muito mais abrangente e profundo é que infelizmente, acabou ocorrendo a nossa repentina saída da cidade e isso provocou uma paralisação temporária do projeto.
Apesar da impossibilidade de prosseguirmos com o projeto. Decidimos dar visibilidade as histórias coletadas sobre as pessoas que são a memória viva de um passado e presente repleto de significados, resistências e curiosidades. Esperamos que esse material possa contribuir de alguma forma para manter a memória viva de um lugar, de um tempo e de sua gente.


#1 – Dona Dita

Entrevista com “dona” Dita, 96 anos. História do bairro São João/Festa de São João em Brotas (SP). 2016

No primeiro semestre de 2016, teve inicio a idealização e concretização do projeto A memória viva nasce a cada dia, uma ação audiovisual construída de forma autônoma e independente que busca através do audiovisual realizar o resgate das memórias e histórias dos antigos moradora(e)s do bairro São João, localizado na cidade de Brotas (SP). O São João é um dos primeiros bairros a surgirem na cidade. O São João e o Pitu Acesso já foram em um passado não muito distante, territórios habitado por famílias de trabalhadores negra(o)s que tiveram um papel valoroso e importantíssimo para história cultural e social da cidade de Brotas (SP). Em uma de nossas constantes idas e vindas pelo território que compreende o São João, conseguimos ter o contato da simpática “dona” Dita, mulher negra de 96 anos, que nos relatou a sua história e vivência no bairro São João. Dita relembra desde quando comprou um terreno no bairro do São João e foi residir por lá. Na época em que se estabeleceu no bairro, Dita disse ter tido um árduo trabalho para limpar o terreno onde iria construir sua futura casa. Foi uma ação trabalhosa. No inicio, o São João era uma área que tinha muita mata e composta por casas dispersas uma das outras.

As lembranças das festas do São João estão extremamente vividas na memória de “dona” Dita, ela nos descreve sobre a pompozidade e alegria de tal acontecimento. Diz, ter conhecido o saudoso João Julião, rezador e um dos mais ativos organizadores da festa do São João. As enormes fogueiras e os brincantes dançando ao som dos tambores é revivido por Dita com detalhes preciosos. Uma das características da festa na época era a sua organização coletiva e popular, diferentemente do que acontece hoje em dia, em que as festas religiosas são exclusivamente organizadas pela igreja e empresariado, dando, assim, um viés fundamentalmente comercial para as festas, onde Igreja, Poder Publico e Empresariado organizam e estruturam a configuração das festas religiosas que acontecem no município.

Mãe de quatorze filha(o)s, Dita casou-se com quatorze anos de idade e diz ter feito o parto de todas as filha(o)s. Além de ter casado muito cedo, Dita foi muito controlada e maltratada pelo companheiro; e teve uma relação opressiva com o companheiro por cerca de quarenta anos, desde quando casou-se até a morte de seu companheiro. A seguir ouça o áudio contendo a entrevista na integra com a “dona” Dita.

Download do arquivo – http://www.mediafire.com/file/9b457w2dlbwdg99/Mem%C3%B3ria+Viva+%231+-+Dona+Dita.mp3

#2 – Dona Maria Preta

Estamos apresentando a segunda edição do podcast “A memória viva nasce a cada dia”. Nesta edição entrevistamos Dona Maria Preta, 60 anos, que nasceu ,casou e teve filhos no bairro São João na cidade de Brotas-SP. Essa conversa começou de forma bem descontraída, pois estávamos entrevistando sua mãe dona Dita e quando nos preparávamos para irmos embora Maria Preta começou a falar curiosidades importantes sobre o bairro do Pito Aceso, região com enorme presença de famílias negras que descendem de negros escravizados. O Pito Aceso é um bairro próximo ao São João que também era habitado por famílias negras, onde rolava uma união entre os moradores de ambos os bairros. Essas famílias negras do Pito Aceso eram as que organizavam os festejos populares, como a festa de São João. Maria Preta, lamenta que estes festejos tenham se perdido pois os organizadores mais velhos morreram e os filhos mudaram de cidade. Hoje a festa está sendo organizada pela igreja católica e não tem mais a mesma adesão popular e nem as batucadas.

Atualmente, Maria Preta, não mora mais no bairro São João por medo da violência, devido ao tráfico de drogas na área. Ela, relembra da dura jornada quando trabalhava na roça carpindo cana e foi picada por uma cobra cascavel ficando cega por algum tempo por conta do veneno. Muitos trabalhadores e trabalhadoras morreram por picadas de cobras e outros de tanto trabalhar Tudo isso, em uma época que não existia piso salarial e nem vestuário adequado para esse tipo de atividade.

Download do arquivo – http://www.mediafire.com/file/8oukwjyd431t2t6/Mem%C3%B3ria+Viva+%232+-+Dona+Maria+Preta.mp3

#3 – Jonas Paiol

Uma das pessoas entrevistas para o projeto audiovisual “A memória viva nasce a cada dia”, no primeiro semestre de 2016 foi Jonas “Paiol”, 67 anos, morador do bairro São João, Brotas (SP). Jonas “ Paiol” relatou que nasceu em um sitio na região e mudou-se para o bairro São João quando tinha aproximadamente 15 anos de idade. Quando chegou ao local vindo juntamente com sua família, o São João era um bairro com pouquíssimas casas e com a predominância de matas. Para Jonas o bairro se transformou muito em relação ao tempo em que ele chegou com sua família para se instalarem no bairro. As melhorias, ao qual ele se refere é basicamente sobre a infra estrutura contida no bairro atualmente, com a chegada do açougue, padaria, bares e restaurantes.
Jonas “ Paiol” nos conta sobre as lembranças da festa de São João que era organizada pela “turma” ligada a João Julião, um dos principais articuladores da festa que organizava e promovia os batuques em volta da fogueira e passava-se a noite toda dançando e batucando em um pátio ali próximo. Jonas, disse ter tido muito amizade com João Julião, sempre frequentavam os forrós que aconteciam na cidade de Ribeirão Bonito (SP). A festa de São João era organizada anualmente, de forma simples e contava com o apoio e solidariedade das pessoas comuns para que a o festejo se concretizasse. Após, a morte de João Julião a festa passou por mudanças organizacionais, o que era antes feito de forma simples, passou a ter uma outra configuração, com a Igreja tomando a frente da organização e a partir de agora com a presença de barracas e venda de alimentos. Antes, segundo, Jonas “Paiol”, as pessoas traziam suas respectivas bebidas e alimentos para compartilharem durante a realização da festa.

As famílias que organizavam as festa de São João, eram pessoas simples e a maior parte era de famílias negras que moravam em casinhas de barro e sem luz elétrica. Percebe-se que com as melhorias de infra estrutura instaladas posteriormente no bairro pelo poder público, com, a chegada da luz elétrica, promoveu o inicio da desarticulação das famílias pobres e negras que tiveram que sair do bairro e se estabeleceram do outro lado da cidade através de um programa de mutirão, organizado e pensado pelo poder público, que vendia a preços cômodos o terreno para as famílias que outrora viviam em barracos de barro e muitos pagavam aluguel no São João. Com a implantação desse programa, as famílias ergueram suas casas em sistema de mutirão. Com a saída dessas famílias do bairro, a festa de São João foi perdendo seu caráter popular e comunitário. Estivemos no local conhecido como Mutirão, lugar para onde os ex moradores do São João foram realocados. Descobrimos através do relato de alguns moradores que eles não possuem um documento que comprova que aquelas casa lhes pertencem de fato.

Download do arquivo -http://www.mediafire.com/file/78sc1439i7dof47/Mem%C3%B3ria_Viva_%233_-_Jonas_Paiol.mp3-

#4 – Mane Leite

Nessa quarta edição do podcast ”A memória viva nasce a cada dia” estamos apresentando a entrevista com Mané Leite, 79 anos, morador do bairro São João. Mané Leite fala da grandiosidade da festa de São João que tinha duração de seis dias começando na sexta-feira, sábado, domingo e na semana seguinte sexta-feira, sábado e domingo. Ele também menciona a batucada organizada por João Julião que percorria a cidade com zabumbas e tambores; a comida e bebida eram de graça e fruto de doações dos próprios moradores e moradoras. Nessa época o bairro de São João era habitado majoritariamente por famílias negras, onde muitas dessas famílias moravam em cortiços de madeira. Durante a gestão do prefeito Pedrinho Ragassa essas famílias foram realocadas para um bairro mais distante do centro da cidade, um local chamado de Mutirão. Ainda hoje essas famílias que para lá foram enviadas não possuem a documentação das suas casas. O nome do bairro São João se deu porque quando os primeiros moradores chegaram ao local, encontraram muito mato e cipó São João; que é verde com flores vermelhas.
Mané leite nos relatou que na época do prefeito Gilberto Braga, um fazendeiro de nome Sérgio Braga, parente do prefeito acima citado, era proprietário de uma fazenda de plantação de arroz; onde hoje é o Clube de Campo na cidade de Brotas e que fazia uso de mão-de-obra em condições análoga a escravidão.

Download do arquivo: http://www.mediafire.com/file/xp8cskdsqc131mt/Mem%C3%B3ria_Viva_%234_-_Mane_Leite.mp3

Memória Viva #5 – Roda de Memória

No dia 13 de maio de 2016 ocorreu no Centro Cultural de Brotas (SP), a “Roda de Memória” com o objetivo de reunir alguns moradores e moradoras do bairro São João para trazerem suas histórias, lembranças e vivências sobre o bairro, um dos mais antigos do município de Brotas (SP). A roda de memória contou com a participação de moradores e moradoras que possuem uma relação direta e vínculos afetivos com esse território tão rico em histórias. Antes do inicio da atividade, envolvendo os entrevistados, houve uma belíssima apresentação de piano com a jovem Tamires Mattos, moradora da cidade, que gentilmente aceitou o convite para fazer a abertura da atividade. Logo, após a sua apresentação decorreu-se uma breve apresentação do coletivo de cinema popular, Experimentação Audiovisual Claudia Ferreira, sobre os objetivos e a importância de se realizar essa atividade de resgate das histórias e memórias do bairro através de seus moradores e moradoras mais antigos, que são verdadeiros patrimônios culturais vivos da cidade.
Os entrevistados que compareceram a atividade foram: Terezinha Matosinho, Pedro Gross e Dirceu Almeida. A roda de memória deu iniciou com a fala de Teresinha Matosinho, que disse morar há mais de 30 anos no bairro e diz que o bairro nasceu concretamente ao redor da festa de São João. Terezinha, lamenta que atualmente não exista mais aquela movimentação de antes e, hoje, verifica-se que a comemoração do dia de São João se resume em uma acanhada quermesse, acompanhada de uma missa. Já, Pedro Gross, que apesar de não ser morador do São João, mas,possui atividades comerciais no local há muitas décadas, diz, com pesar sobre o fim de uma festa religiosa tão bela e que atraía um enorme numero de pessoas advindas de outras cidades para prestigiarem a festa de São João em Brotas (SP). Muitas pessoas dependiam economicamente da festa. Erguia-se barracas para a venda de bolos, quentões, salgados e doces. Segundo, Pedro Gross, a festa era muito conhecida pelo “passar a fogueira”, ritual em que as pessoas pisavam descalças sobre as brasas da fogueira. Era um dos momentos mais aguardados da festa de São João. Para, Pedro, a festa propiciou visibilidade a muitos artistas locais que se apresentavam durante a realização do festejo.
Mais uma vez, durante a o andamento da Roda de memória, o nome do saudoso, João Julião, fora citado, como um dos principais organizadores da festa de São João e um dos fundadores da paróquia de São João, segundo Pedro Gross. Terezinha , relembra a grande quantidade de pessoas que vinham de fora, principalmente de São Paulo (SP) para prestigiarem a festa de São João. Antes mesmo de construírem a capela, existia o cortejo que saia do bairro e ia até as margens o rio Jacaré com a finalidade de banharem o santo e, em seguida, a procissão retornava Ao bairro São João. Após terminar as rezas, acendia-se a fogueira e se iniciava a batucada e danças que perduravam até o amanhecer o dia seguinte. Pedro Gross relembra que os cidadãos brotenses que residiam em São Paulo, Campinas, Jundiaí e Americana, principalmente, aguardavam ansiosamente o mês de junho para poderem vir participar da festa de São João.
Um ponto bastante interessante na fala de Pedro Gross, foi sobre a falta de respeito e desprezo dos políticos e responsáveis pela cultura da cidade em relação a preservação da memória e a manutenção das festas tradicionais que existiam por toda a cidade e que hoje, muitas não são mais realizadas devido a falta de incentivo. O poder público local e empresariados investem apenas no turismo, haja, visto, que a cidade de Brotas (SP) se transformou há pouco tempo em Estância Turística. Com isso, as atenções e investimentos são direcionados e pensados apenas para o turismo de aventura , enquanto que as festas e outras expressões artísticas e práticas culturais da cidade não são valorizadas.
Outra expressão de descontentamento é devido a política intransigente da Igreja Católica sobre a organização das festas religiosas e culturais da cidade, onde o olhar está inteiramente voltado para a mercantilização da cultura e tradição, excluindo, assim, grande parte da população em ter acesso e participação efetiva das práticas culturais e as festas tradicionais da cidade.
A dificuldade e a falta de infra estrutura é comentada por Dirceu de Almeida que diz que quando se mudou para o São João,encontrava dificuldades em relação a obtenção de água,sendo obrigado juntamente com sua esposa se deslocarem para outras regiões da cidade em busca de água para atender, assim, as necessidades básicas de sua família

Download do arquivo: http://www.mediafire.com/file/qstlbp0wcexzd8g/Mem%C3%B3ria_Viva_%235_-_Roda_de_Mem%C3%B3ria.mp3

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Primeiro semestre de 2020

Esse presente texto apresenta um conjunto de depoimentos e imagens referentes ao resgate das memórias inaudíveis que teimosamente  (Re)existem em dar conhecimento  e visibilidade a suas lutas, culturas, expressões e modos de se estar no mundo. Estas são narrativas que historicamente vem sofrendo constantes  tentativas de apagamento por um sistema mundo eurocêntrico, patriarcal e racista.

Identificamos e reconhecemos nessa ação audiovisual  denominada “ A memória Viva Nasce A Cada Dia” , um outro momento e  uma outra fase em que percorremos outros territórios e paisagens sociais que permanecem existindo e resistindo  em territórios que compreendem os municípios de Itapira, Mogi Mirim e Mogi Guaçu. No inicio de 2018, munidos de nossas bicicletas, resolvemos realizar algumas visitas iniciais ao Assentamento 12 de Outubro, também conhecido como Vergel, localizado entre os municípios de Mogi Mirim e Itapira. No decorrer das constantes pedaladas até o local, gradualmente foi-se mantendo conversas e contatos com as famílias camponesas que habitam este assentamento. Diante disso, foi cada vez mais intenso a construção de vínculos com as famílias assentadas nesse território. A partir desse contexto todo, percebeu-se a oportunidade de dar visibilidade as vozes das mulheres do assentamento, principalmente, aquelas que participaram da luta pela conquista da terra desde do início, lá pelos idos de 1996. Com o auxílio de algumas mulheres assentadas, foi possível identificar e mapear os nomes de outras mulheres e seus respectivos lotes. Todo o processo de aproximação e convivência com essas mulheres foi se delineando em ricas histórias de resistências, lutas e sonhos. A medida, que a concretude dessa ação audiovisual ia tomando “corpo e volume”, resolvemos dar um nome especifico para essa ação singular dentro do projeto orientador, o nome dado foi “ Mulheres de Luta do 12 de Outubro”.  O projeto ainda prossegue em construção e fica aqui uma parte das memórias dessas mulheres de luta do assentamento!

Uma outra linha da ação audiovisual dentro do projeto autônomo e não acadêmico “ A Memória Viva nasce A Cada Dia”, foi o encontro com a cultura de origem africana a partir do terreiro de umbanda “Caboclo Quebra Galho e pai José de Aruanda”, localizado na cidade de Itapira (SP) Durante todo o processo de aproximação e participação dos rituais  e performance no terreiro, sentimos a necessidade de documentar em fotografias e áudio todo o contexto religioso, cultural e politico do terreiro. Os terreiros de umbanda e candomblé que ainda permanecem e resistem na cidade,  trazem  as reminiscências de um passado africano muito forte na história de Itapira (SP). A cidade e toda região foi historicamente uma região de exploração de corpos negros em que se proliferavam as fazendas de café, cujo os proprietários de origem europeia, sobretudo italianos e portugueses eram conhecidos como os barões do café. Essa elite branca construiu toda a sua riqueza se apropriando e escravizando os corpos negros nas fazendas de café. As narrativas que foram sendo capturadas a partir dos personagens dos terreiros da cidade e de outras expressões e impressões socio culturais,  trouxeram a potencialidade  de fazer viajar e de dar a conhecer os lugares da memória, das heranças identidárias  e das tradições de um lugar. A cultura de origem e matriz africana a partir dos terreiros de outras manifestações culturais  permite que se recupere a consciência de acontecimentos anteriores e que mantenha vivida a resistência e luta contra práticas racistas contidas e expressa em nossa sociedade.

“ Toda consciência do passado está fundada na memória. Através das lembranças recuperamos consciência dos acontecimentos anteriores, destinguimos ontem e hoje, e confirmamos que já vivemos um passado”

( Lowenthal, 1981)

Memória Viva #6 – Ileide

Ileide – Camponesa e Lutadora SocialAssentamento 12 de Outubro/Vergel
Mogi Mirim (SP)
29 de outubro de 2018
Para Maria Ileíde Teixeira, moradora desde os primórdios do Acampamento e posteriormente Assentamento 12 de Outubro criado dentro do processo de Reforma Agrária no ano de 1996, diz que a terra é fundamental para a dignidade humana e é dela que tudo emana. Sua origem é camponesa, seu pai Geraldo era filho de africanos e sua mãe Ana, descendente de indígenas; foram retirados e expulsos de suas terras em que moravam e cultivavam no interior das Minas Gerais devido ao empreendimento de uma hidrelétrica. Dona Ileide nos relatou sobre como foi a sua participação junto ao movimento Sem Teto em Campinas (SP), antes da sua chegada ao Vergel. Essa sua vivência e experiência pela luta por moradia foi uma verdadeira escola, foi lá que efetivamente experenciou a prática da coletividade e o apoio mutuo entre as famílias trabalhadoras que se organizavam em torno dos movimentos populares que lutavam por moradia na região metropolitana de campinas (SP), antes de efetivamente se envolver com a luta pela terra no campo.
Outra questão trazida por Ileíde foi o seu envolvimento com a produção de alimentos naturais e livre de venenos e agrotóxicos que são produzidos em seu lote. Por outro lado, explica sobre as dificuldades cada vez mais intensas em relação a ausência de politicas públicas que ofereçam reais estruturas e que incentive a produção e consumo de alimentos naturais.
A trabalhadora rural Ileide é uma das fundadoras da AMA, uma Associação de Mulheres Agroecológicas que foi fundamental para pensar no processo de organização das mulheres do Assentamento na busca da produção de alimentos em uma perspectiva agroecológica. Além disso, durante o processo de coleta dessas narrativas, Ileíde relata inúmeras outras situações interessantes e importantes, sobretudo a questão da violência contra a mulher na zona rural e as opressões que ela vivência enquanto mulher, negra e indígena.

Download: http://www.mediafire.com/file/s4m3u0nq2zeachy/%25231_-_Ileide%252C_sem_bg.mp3/file

Memória Viva #7 – Geralvina

Prosseguindo mais uma vez com a ação audiovisual “A Memória Viva Nasce A Cada Dia”, nos encontramos com a paranaense de Astorga (PR),Geralvina Ferreira que narrou sua história de vida e de luta pela conquista da terra. Geralvina é mais uma trabalhadora rural que vive no Assentamento 12 de Outubro em Mogi Mirim (SP). Antes de sua chegada ao Assentamento 12 de Outubro, a camponesa fala de sua vivência e história por Rondônia, estado onde morou por alguns anos antes de vir para São Paulo. Geralvina, é originaria de uma família de camponeses que já trabalhavam na terra durante a sua infância lá no interior do Paraná. A sua chegada ao Assentamento 12 de outubro ocorreu no ano de 2010 junto com o companheiro e os filhos. Com a sua chegada aqui em São Paulo, Geralvina e seu companheiro iniciaram a participação nos movimentos de luta pela terra no interior de São Paulo. É nesse contexto que acabam conhecendo e se agregando ao Assentamento 12 de Outubro. Um outro aspecto relevante das narrativas de Geralvina, é o seu engajamento em ações sociais desde de sua vivência em Rondônia até o seu estabelecimento no Assentamento. Essas práticas nunca cessaram. Um dos seus desejos é criar um espaço de convivência para as mulheres que residem no Assentamento e que possam usufruir e se envolverem em diversas atividades como, a prática do bordado, rodas de conversas, ginástica e dança. Bem, aproveitem na integra a entrevista concedida por Geralvina Ferreira, mais uma mulher de luta do Assentamento 12 de Outubro para o projeto audiovisual “ A Memória Viva Nasce A Cada Dia”.

Download:
http://www.mediafire.com/file/tkz8nv06qcl70ri/MV7.mp3/file

Memória Viva #8 – Clemencia

Mulheres de Luta do Vergel [ dona Clemencia ] 27 de janeiro de 2019 Assentamento 12 de Outubro Mogi Mirim (SP) Mais uma vez nos apropriamos das bikes e nos deslocamos até o Assentamento 12 de Outubro ( Vergel) ao encontro das memórias inaudíveis, Dessa vez, prozeamos com a carinhosa Clemencia Pacheco de Abreu, 61 anos, que está no Assentamento desde do inicio, a mais de vinte anos atrás, vinda de Teofilo Otoni ( MG). Dona Clemência narrou como foi sua chegada até onde hoje é o Assentamento, depois por ter passado por várias situações difíceis, sem um teto para morar durante sua trajetória de vida desde a sua saída ainda jovem do interior de Minas até se inserir na luta pela terra. Quando da sua chegada ao até então Acampamento do Sem Terra, dona Clemência se disponibilizou a fazer parte da cozinha coletiva e relembra de uma época em que tudo era compartilhado entre todos. Diz ser uma época em que prevalecia a prática da solidariedade. Ainda hoje, ela diz que o povo do Assentamento é bastante unido. Outra narrativa interessante, entre muitas, é a de seu conhecimento sobre plantas medicinais que lembra ter herdado de sua mãe lá no interior das Minas Gerais. Além disso, dona Clemencia narrou as brincadeiras de infância, as cantigas de roda e das histórias da luta pela terra.

Download:
https://www.mediafire.com/file/w4n6g1zc9ucwqr6/MV8.mp3/file

Memória Viva #9 – Nilza

Agricultura familiar em um Assentamento Rural.
11 de maio de 2019
Assentamento Rural 12 de Outubro
Itapira(SP)/Mogi Mirim (SP)
Já está concluída mais uma edição do podcast A Memória Viva nasce A Cada Dia. Nessa edição apresentamos a entrevista com mais uma camponesa, mais uma mulher de luta do Assentamento 12 de Outubro. Dessa vez, coletamos o depoimento de Maria Nilza Pereira Andrade, 53 anos de idade, que está desde do inicio do processo de ocupação pela luta da conquista da terra. Ela e sua família são originários do Norte das Minas Gerais. Nilza, é filha de camponeses e sempre trabalhou na terra. Hoje, Nilza é a presidenta da Coopervel, uma cooperativa de associados formada por pequenas famílias de agricultores rurais que vivem dentro do Assentamento de 12 de Outubro. Toda a produção e distribuição de alimentos são organizados para serem vendidos para pequenos estabelecimentos e famílias localizadas em áreas urbanas no entorno do Assentamento. Além disso, a Coopervel realiza algumas parcerias para a entrega de hortaliças, frutas e legumes produzidos dentro do contexto da agricultura familiar para escolas públicas de alguns munícipios. Além disso, o depoimento da trabalhadora rural Nilza é muito rico e ela trás algumas impressões e fatos sobre a realidade social e politica dos assentados. Com uma consciência politica muito apurada e lúcida, Nilza faz uma narrativa das dificuldades cada vez mais presentes no cotidiano dos trabalhadores rurais que vivem nos Assentamentos rurais.

Download: http://www.mediafire.com/file/3ydi4mukwbkclx1/MV9.mp3/file

Memória Viva #10 – Eva

Mais uma vez nos deslocamos de bicicleta até o assentamento rural do Vergel que fica entres os municípios de Itapira e Mogi Mirim, interior do Estado de São Paulo. Para conversar com Eva, uma Senhora negra, mãe de cinco filhos e trabalhadora rural que produz alimentos em sua horta orgânica. Eva é mineira e na sua adolescência trabalhou como empregada doméstica na cidade de Governador Valadares -MG. Após o falecimento de seus pais migrou para a região de Conchal-SP, em busca de melhores condições de vida. Porém, nas circunstâncias em que se encontrava, o único trabalho que surgiu foi como cortadora de cana em uma usina de açúcar. Durante esse período conheceu o MST (Movimento dos trabalhadores rurais sem-terra), e se juntou ao movimento para lutar pela terra e garantir que seus filhos tivessem melhores oportunidades na vida. Hoje ela narra com orgulho toda a sua trajetória e disse que faria tudo novamente, que vale muito a pena lutar pra ter uma moradia, um lote de terra para plantar e ter sua autonomia. “Me pergunto se todas as guerras, derramamento de sangue não assaltaram a criação quando um homem procurou ser senhor de outro(…) e se essa miséria não irá embora(…) quando todas as ramificações da humanidade considerarem a terra como um tesouro comum a todos”. GERRARD WINSTANLEY, 1649. Para finalizar deixo uma reflexão:” Como mulher não tenho um país. Como mulher não quero um país. Como mulher meu país é o mundo inteiro” (Virginia Woolf, trecho do livro feminista e antifascista Os três Guinéus).

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Memória Viva #11 – Glória

Em busca das memórias inaudíveis.
Assentamento Rural 12 de Outubro
Mogi Mirim (SP)
30 de dezembro de 2018
Dando prosseguimento ás buscas das memórias vivas que (re)existem e resistem diante das vozes e discursos elitistas e patriarcais, fomos ao encontro de Maria Glória Mariano de Oliveira, 57 anos que reside no Assentamento 12 de Outubro ( Vergel) no município de Mogi Mirim (SP). Glória, como é conhecida, mora em uma casa toda de madeira que fora construída exclusivamente pelo seu pai que transportava com a ajuda de um cavalo as madeiras que encontrava para serem utilizadas na construção da casa em que ela vive até hoje.
Durante o bate papo, Glória relembra de como foi a sua chegada e da sua família para o até então Acampamento do Sem Terra no incio dos anos 90. Partindo de charrete, ela veio juntamente com seus pais e irmãos em busca de um pedaço de terra para poderem habitar e plantar. A luta foi enorme, Glória relembra as dificuldades terríveis que ela e todas as outras pessoas acampadas vivenciaram, principalmente nos 3 anos iniciais que ficaram na condição de acampados. O frio, calor, chuva e a fome eram constantes sobre as lonas nesse momento da luta pela terra. Por outro lado, Glória narra a união entre as pessoas e os mutirões que aconteciam com intuito de cada um se auxiliar nesse processo da luta.Além disso, Glória ainda tem o desejo de retomar a ideia de sua falecida mãe que é a criação de uma horta medicinal no local. E, diante dessa ação a intenção é promover a troca de saberes e experiências entre as mulheres do Assentamento. Outro aspecto bastante interessante durante a coleta do depoimento foi o de descobrir a mulher inventiva e múltipla que é Glória. Uma mulher que faz inúmeros trabalhos com tear usando retalhos de tecidos, a produção de tapetes, confecções de biquinis de croché, a criação de bonecos confeccionados com palha de milho e fibra de bananeira, a construção das vassouras e entre outras coisas. 

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Memória Viva #12 – Nazaré



Nazaré – A Horta Ecológica
28 de setembro de 2019
Mais uma vez fomos ao encontro de mais uma mulher de luta, moradora do Assentamento 12 de Outubro [ Vergel} localizado entre os munícipios de e Itapira (SP) e Mogi Mirim (SP). Dessa vez trazemos o depoimento de Nazaré Aparecida da Silva Oliveira, 48 anos de idade, que nos recepcionou em seu lote para relatar a sua história como trabalhadora camponesa no Assentamento e sobre o processo de construção e produção da horta ecológica familiar que passou por diversas situações difíceis em relação a estruturas e condições essenciais para o inicio da sua produção. Além disso, Nazaré, relatou seu envolvimento e participação junto a pastoral da criança e seu trabalho social que faz junto a dezenas de crianças que residem no Assentamento 12 de Outubro e que encontram no seu sítio um espaço de convivência e lazer diante da ausência de espaços de cultura e lazer para a juventude local.

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Memória Viva #13 – Patrícia Perotto

Mulheres de Luta do Assentamento
12 de Outubro
Patricia Perotto
Assentamento 12 de Outubro
Mogi Mirim (SP)
24 de novembro de 2019
Mais uma mulher de luta concedeu sua narrativa sobre a conquista da terra no Assentamento 12 de Outubro ( Vergel). Patricia Perotto, 32 anos, rememorou a sua trajetória desde o inicio de sua adolescência, momento que chegou juntamente com a sua família, inicialmente, no que era outrora um acampamento ocupado por famílias trabalhadoras sem terra há mais de 20 anos atrás estabelecidos em terras ociosas e improdutivas da antiga FEPASA. Patricia rememora as dificuldades e o preconceito da juventude do assentamento em acessar os aparelhos de educação formal, como a escola , por exemplo. Logo no inicio do acampamento, Patricia narra as longas distâncias que crianças e jovens percorriam para chegar até a escola mais próxima que ficava na Vila Dias, bairro da periferia de Mogi MIrim (SP). Além da distância e e dificuldade de acesso, a juventude no Assentamento sofria muito preconceito e discriminação pelos alunos/as e de alguns professores da escola por serem pertebcentes a famílias de trabalhadores e trabalhadoras rurais sem terra. Outro aspecto interessante da narrativa de Patricia é o que diz respeito a ausência de mecanismos de cultura e lazer para a juventude do Assentamento nos dias atuais.

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Memória Viva #14 – Pai Odair

Os terreiros e a presença da religiosidade de matriz africana em Itapira
Entrevista com Pai Odair
Terreiro Caboclo Quebra Galho e Pai José de Aruanda
A presença dos terreiros de Umbanda e Candomblé na cidade de Itapira (SP) demonstram a presença e contribuição cultural do povo africano para a sociedade itapirense. Um desses espaços que praticam a religiosidade de matriz africana é o terreiro de Umbanda chamado “Caboclo Quebra galho e Pai José de Aruanda”. Nessa edição do podcast A Memória Viva Nasce A Cada Dia apresentamos a entrevista realizada com o zelador do terreiro, Odair Lopes, que traz em sua narrativa o seu processo de encontro com a Umbanda e, posteriormente, como se deu o surgimento do terreiro.

Download: http://www.mediafire.com/file/zzbs2xdhudydmm6/MV14.mp3

Memória Vive #15 – Gira de Preto Velho

Gira de Preto Velho
Terreiro Caboclo Quebra Galho e Pai José de Aruanda
Itapira (SP)

Dando continuidade a ação audiovisual A Memória Viva Nasce A Cada Dia pelos terreiros da cidade de Itapira (SP), trazemos mais uma edição do podcast, dessa vez disponibilizamos o áudio da “Gira de Preto Velho” que aconteceu no dia 22 de outubro de 2018 no terreiro de Umbanda Caboclo Quebra Galho e Pai José de Aruanda.

O galo bateu asa e cantou
A hora que preto Velho chegou
Se esse galo não cantasse
muita gente não sabia
Preto Velho a qué chegava
antes do romper do dia
( ponto de preto velho)

Download: http://www.mediafire.com/file/84nr2633oiaxse1/MV15.mp3/file

Memória Viva #16 – Festa dedicada a Maria Padilha

Festa dedicada a Maria Padilha
[ Terreiro Caboclo Quebra Galho e Pai José de Aruanda }
Itapira (SP)
Segundo semestre de 2019

A Festa dedicada a Maria Padilha tem início com uma gira de esquerda. Os médiuns da casa recebem Exú e pombas gírias. Durante o hino da Umbanda é cantado o ponto para a chegada de seu tranca rua das almas, onde as pessoas presentes pedem abertura de caminhos e prosperidade. A festa para Maria Padilha é envolvente e contém durante a ritualística muita dança e o oferecimento de frutas. Uma das característica de Maria padilha é a sua alegria e sorriso constante. Ela gosta de perfume e durante o som dos atabaques regidos pelos ogans da casa, ela gira pelo salão com a sua saia rodada com um vermelho e preto vívido.

Download: https://www.mediafire.com/file/ejbzcexk27m4vwy/MV16.mp3/file

Memória Viva #17 – Gira de Baiano e Boiadeiro

A Gira de Baiano e Boiadeiro foi gravada no dia 15 de abril de 2019 no terreiro Caboclo Quebra Galho e Pai José de Aruanda localizado na cidade de Itapira (SP).

“Baiano é povo bom é povo trabalhador
Quem mexe com baiano
mexe com Nosso Senhor”

Download: https://www.mediafire.com/file/4atawx4iux0x3yf/MV17.mp3/file

Memória Viva #18 – Mãe Toninha

Mãe Toninha

As memórias e histórias da sacerdotisa Toninha foram reavivadas em uma conversa para lá de agradável no Terreiro São Miguel, onde ela atende pessoas que chegam até o espaço relatando diversos problemas e em busca do auxílio espiritual dos guias da Umbanda. Toninha é um verdadeiro patrimônio cultural e trouxe muitos aprendizados sobre o papel da Umbanda e sua respectiva história para a cidade de Itapira. Fica aqui um agradecimento especial ao nosso amigo Odair Lopes, sacerdote do Terreiro Caboclo Quebra Galho e Pai José de Aruanda pelos contatos e participação efetiva nesta ação audiovisual em busca das memórias clandestinas, marginalizadas e historicamente invisibilizadas!

13 de agosto de 2019
Terreiro São Miguel Itapira(SP)

Download: https://www.mediafire.com/file/hhzbuh3v3rtp76s/MV18.mp3/file

Memória Viva #19 – Mãe Nica

Terreiro de Candomblé – Centro Afro-brasileiro Uirapuru
Itapira (SP)
4 de maio de 2019

Dando continuidade a ação audiovisual “A Memória Viva Nasce A Cada Dia” em busca das memórias clandestinas, estivemos com Ana Pereira do Nascimento Teodoro, 69 anos, conhecida como “dona” Nica que é mãe de santo do Terreiro de Candomblé Centro Afro brasileiro Uirapuru. Nica, em uma conversa muito agradável narrou a história do terreiro e sua trajetória dentro do candomblé. Nascida em uma fazenda da região, a mãe de santo rememorou que durante a sua infância as práticas de benzimento realizadas pelo seu avô Benedito Pereira, principalmente os benzimentos destinados as pessoas que sofriam picadas de cobra, despertava uma curiosidade imensa nela. Além disso, “dona” Nica relembrou diversas cantigas proferidas no terreiro e muitas outras histórias. Por fim, a mãe de santo mencionou sobre as intenções e os preparativos para a realização da festa de Ogum que será realizada no Terreiro em junho. Afinal de contas esse ano é o ano de Ogum. Gostaríamos de agradecer imensamente a presença e participação de Odair Lopes.

Download: https://www.mediafire.com/file/wtrjrl2sdkqzo40/MV19.mp3/file

Memória Viva #20 – A Gira para Exú

A Gira para Exú
Trazemos mais uma edição do podcast A Memória Viva Nasce A Cada Dia. Apresentamos a gira em homenagem a Exu, realizada no terreiro Caboclo Quebra Galho e Pai José de Aruanda, localizado na cidade de Itapira (SP). O som de todo o processo ritualístico para Exú foi captura no dia 1 de outubro de 2018.

Download: https://www.mediafire.com/file/kq8ve5xxd3uh52b/MV20.mp3/file

Memória Viva #21 – O atabaque como um elemento sagrado na Umbanda

Terreiro de Umbanda Caboclo Quebra Galho e Pai José de Aruanda
Itapira (SP)
26 de outubro de 2018

A entrevista realizada com o ogan Cléber Luis Godoy do Terreiro de Umbanda Quebra Galho e Pai José de Aruanda foi repleta de informações muito interessantes. Cléber iniciou o nosso bate papo dizendo que o seu envolvimento com as religiões afro brasileiras se deu ainda quando criança. A sua família costumava frequentar terreiros e sua avó por parte de pai realizava benzimentos antes de se tornar evangélica. As idas frequentes aos terreiros vão lhe propiciar um interesse cada vez maior em estar presente nesse universo das entidades. Reativando a sua memória, Cléber nos conta a primeira vez que entrou no terreiro Caboclo Quebra Galho e Pai José de Aruanda, e logo de inicio foi convidado pelo lider espiritual da casa, Odair para que tocasse naquele dia um dos atabaques em substituição a um dos ogans que estava ausente. Durante a conversa houve a menção do atabaque como um elemento sagrado e fundamental para a comunicação com as entidades entre Aruanda e o terreiro. Uma das questões apresentadas por Cléber foi o seu processo de conexão com o reino vegetal que lhe possibilita o uso consciente das ervas utilizadas nas mais variadas funções e rituais dentro do terreiro, desde os banhos de purificação, defumações e usos medicamentosos.

Download: http://www.mediafire.com/file/uwju1o6ppjmkra8/MV21.mp3/file

Memória Viva #22 – Folia de Reis de Mogi Guaçu

Folia de Reis de Mogi Guaçu (SP)
19 de agosto de 2018

O áudio foi captado durante o Ensaio/Apresentação da Folia de Reis de Mogi Guaçu (SP). Os foliões foram recebidos pelos anfitriões dona Marlene e seu Sebastião, moradores da Vila Leila, Mogi Guaçu (SP). O inicio do cortejo, as cantorias de reis e o almoço oferecido pelos donos da casa foram realizadas sob um frondoso pé de Abacateiro.

Download: http://www.mediafire.com/file/xtearby3o3i8fhq/MV22.mp3/file

Memória Viva #23 – A Folia de Reis em Campestrinho (MG)

A Folia de Reis em Campestrinho (MG)
12 de janeiro de 2019
Distrito de Campestrinho, zona rural de Andradas (MG)

Trago aqui uma narrativa sobre uma experiência vivida em um encontro de grupos de Reisado que se apresentaram em um lugarejo na zona rural do município de Andradas (MG). Logo cedo, antes mesmo do dia clarear nos preparamos para embarcarmos no ônibus que nos levaria de Itapira (SP) até Mogi Guaçu (SP). Chegando no destino como prevíamos, aguardamos a chegada de Claudete e Mislaine, respectivamente filha e neta de seu Jair, membro e importante articulador dos grupos de Folia de Reis e da Congada de São Benedito da cidade de Mogi Guaçu (SP). Como previamente combinado, Claudete nos esperou na rodoviária da cidade guaçuana e, com isso, nos deslocamos até a casa de seu Jair, onde ele e outros brincantes que fazem parte do grupo da Folia de Reis já se aglomeravam em torno do veículo Kombi que seu jair comprou para facilitar o transporte das pessoas, instrumentos, vestimentas e a bandeira que caracterizam a Folia de Reis e a Congada para mais uma vigem de apresentação do grupo de cantadores de reis. Dessa vez, o destino era o distrito de Campestrinho, zona rural de Andradas (MG). Quando me refiro que a viagem até Campestrinho se configurou em uma aventura, foi devido as diversas situações inusitadas e dificultosas que surgiram durante o trajeto até o local do encontro das Companhias de Folia de Reis. Boa parte do deslocamento foi realizado por sinuosas e ingrimes estradas de terra, passando por propriedades de camponeses, cafezais, milharais, plantações de banana, nascentes dàgua e criações de animais. Logo de incio já nos deparamos com o primeiro empecilho, que foi a impossibilidade do veículo conseguir subir as excessivas montanhas. Em vários momentos foi necessário continuar o trajeto andando até o automóvel conseguir seguir. Essa foi uma situação que se repetiu várias vezes ao longo do trajeto. A maior parte dos brincantes da Folia de reis são compostas por pessoas idosas e a dificuldade se tornou mais explicita. Mas, mesmo diante de circunstâncias desfavoráveis , foi nítido a avidez dos foliões em continuarem a manter e compartilhar essa cultura tão vívida com outras pessoas e em outros espaços sócio geográficos. Chegando em Campestrinho, tivemos a agradabilíssima oportunidade de conhecer um pouco sobre a história do lugar e do grupo Folia de Reis Nossa Senhora da Guia que existe a quase cem anos, um verdadeiro patrimônio cultural imaterial do Brasil. Antes dos grupos se apresentarem foi oferecido um almoço coletivo em um salão de festa onde fora servido uma farta comida para todas as pessoas presentes. Participaram desse encontro de reisado as Companhias de reis de Mogi Guaçu (SP), Ouro Fino (MG) e Campestrinho (MG).

Download: http://www.mediafire.com/file/ffb03cjufeb5q2m/MV23.mp3/file

Memória Vive #24 – Jair Congadeiro

Fazenda Lucas Jorge, zona rural de Itapira (SP)
12 de agosto de 2018

Dando continuidade a ação audiovisual autônoma em busca das memórias clandestinas, fomos com o seu Jair, congadeiro de Mogi Guaçu (SP), em busca de fragmentos das memórias de sua ancestralidade. Na companhia de sua filha Claudete, a bisneta Geovana Eduarda e a companheira Silvana nos dirigimos em busca dos vestígios e paisagens do local em que seu Jair nasceu há setenta quatro anos atrás na fazenda Lucas Jorge em Itapira (SP). Após algumas dificuldades em localizar a fazenda, devido as mudanças da paisagem geográfica que foram modificadas ao longo dos anos, conseguimos encontrar a fazenda em que seu Jair nasceu. Chegando ao local, seu Jair relembrou diversas situações interessantes, entre elas, o processo da colheita do café, a lavagem dos grãos e o armazenamento. Os grãos de café eram conduzidos em carros de boi por cerca de 12 km até a estação de trem de Itapira. Diante dos vestígios de antigas construções, seu Jair, relembra a época das Congadas organizadas pela sua avó Isabel Perpetua Miguel que também era uma conhecida benzedeira e parteira. O avô de seu Jair era africano e se chamava Benedito Miguel. A fazenda surgiu a beira do caminho que os sanguinários bandeirantes percorriam em direção as Minas Gerais em busca de metais e pedras preciosas. No inicio do século XX as fazendas de café no entorno de Itapira (SP) foram importantes produtoras de café que se utilizam de mão de obra africana escravizada.

Download: http://www.mediafire.com/file/9t00p1l5ii5lyv2/MV24.mp3/file

Memória Viva #25 – Borjão

Falando sobre Congadas, Carnaval, Futebol e Resistência

Com o céu acinzentado, frio e diante da iminência de uma chuva persistente e constante, essa situação climática toda não foi possível inibir nesta quinta feira, 20 de setembro de 2018, nossa agradável conversa com Ademir Borges, conhecido carinhosamente como seu Borjão, de 66 anos de idade. Borjão ativou a memória e trouxe em sua narrativa as festas musicais que aconteciam no Dito Negrinho, um espaço cultural criado e frequentado pelo povo negro para promover encontros e entretenimentos na cidade de Itapira (SP). O espaço Dito Pretinho, simboliza uma ação de resistência diante da proibição da população preta em frequentar outros espaços e clubes da cidade frequentados pelos brancos e que praticavam uma segregação sócio racial pela cidade. Borjão, diz que mesmo os negros sendo proibidos de entrarem em clubes e salões frequentados por brancos, o espaço Dito Negrinho aceitava a presença de alguns brancos. A narrativa se dirigiu também sobre como eram organizadas os carnavais e as escolas de samba em uma época memorável da cidade de Itapira (SP). O seu contato com as congadas se deu ainda muito jovem, quando seus pais vieram do interior de Minas Gerais e desde daquela época tinham uma relação muito próxima com a Congada. Borjão, lamenta que nos dias atuais não exista mais o carnaval, as escolas de samba e um maior numero de grupos de congada. Essa cultura popular foi se desestruturando e tornando-se cada vez mais um grande negócio embranquecedor , afastando, assim o povo de sua organização e construção dessas ações culturais. Borjão, menciona seu envolvimento com o futebol de várzea da cidade e a criação de um torneio que tinha a presença de um time de futebol formado por negros e outro por brancos.

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